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sábado, 5 de outubro de 2013

LESÕES NOS OMBROS E NA COLUNA PASSAM DE 9% PARA 15% NO REGRESSO ÀS AULAS





Segundo estudos, excesso de peso e uso inadequado de mochilas escolares estão relacionados a 19 tipos de lesões no ombro.


O excesso de peso e uso inadequado de mochilas escolares quase duplica a ocorrência de problemas em crianças e adolescentes. No Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, a percentagem é de 9%, e em época de regresso às aulas esse número aumenta para 15%.

Investigadores do Cincinnati Children' s Hospital, nos Estados Unidos, analisaram as crianças admitidas nas urgências do hospital e constataram que 23% delas manifestavam queixas causadas pelo uso inadequado da mochila. Esse número não se restringe apenas a lesões na coluna e sim a 19 tipos de lesões no ombro.

O mau uso da mochila pode ocasionar dor muscular, ferimentos abrasivos e problemas na coluna ." As crianças podem sofrer danos na coluna vertebral ao carregar uma mochila muito pesada. O peso pode afetar as articulações, interferindo no desenvolvimento dos pequenos. O limite máximo de peso recomendado a transportar na mochila é de 10% a 15% do peso corporal da criança, segundo Brackley e Stevenson, Cottalorda et al (2004).

 MOCHILAS COM RODAS

Muitos pais optam, então, para o uso de mochila com rodinhas. Porém se puxadas de maneira inadequada, os riscos são os mesmos. " A alça do carrinho tem que ter a altura adequada para a criança, e o peso também não pode ultrapassar a percentagem desejada, senão o esforço exigido causa problemas tão sérios quanto ao carregar nas costas.

Os pais devem ficar atentos para qualquer reclamação do filho. Ao primeiro sinal de dor devem levá-lo ao médico especialista para uma avaliação mais detalhada. É igualmente importante de salientar que só o material realmente essencial para as tarefas do dia devem constar no interior da mochila.

REABILITAÇÃO

Em média o HCor atende nessa época do ano cerca de 10 crianças por mês com queixas de dores nos ombros, geralmente ocasionadas pelo mau uso das mochilas escolares. São problemas que se não tratados quando detetados, podem levar a prejuízos para a vida toda.

É comum encontrar jovens com problemas de postura e dores crónicas nas articulações. Quando o problema se instala deve-se iniciar um tratamento de reabilitação para o paciente, entre o quais o tratamento osteopático para correção das lesões e reequilíbrio do organismo.

MEDIDAS PREVENTIVAS

·       Uso de mochilas com duas alças largas para uma melhor distribuição do peso;
·       As alças devem ser preferencialmente acolchoadas e ajustadas de forma que a mochila fique junto  
 às costas (coluna dorsal);
·       Na mochila deve existir um cinto ao nível da cintura de forma a repartir o peso entre os ombros e a
zona lombar, assim como evitar que a mochila oscile;
·       A largura da mochila não pode ser maior que a largura do dorso da criança;
·       Não deve ter ultrapassar a cintura da criança;
·       Os objetos mais pesados devem ser colocados mais perto das costas, para que o peso esteja melhor distribuído;
·       Dê preferência para mochilas com poucos bolsos. A diversidade de compartimentos pode ser um atrativo para carregar objetos inúteis.


Publicado em 01/02/2013 no Isaude.net

domingo, 22 de setembro de 2013

RASTREIO DA ESCOLIOSE DO ADOLESCENTE


Escoliose em idade escolar

O excesso de peso e o transporte inadequado do material escolar, a ausência de atividade física específica, os mobiliários não adequados à necessidade do escolar e posturas incorretas adotadas durante as aulas e em período extraescolar, são fatores predisponentes ou agravantes da escoliose em escolares (CARENZI et al., 2004).

 
De acordo com Pinho e Duarte (1995) a criança em idade escolar permanece por várias horas sentada numa posição incorreta, utilizando carteira imprópria que provoca enfraquecimento da musculatura abdominal e dorsal.
É necessário estar atento tanto na maneira que o aluno senta e posiciona os pés (altura da cadeira), quanto na maneira como ele se desloca (desequilíbrio dinâmico) na quadra, na pista, pois os pés são chamados de “tampão central” e fazem a fixação final, além de terem a capacidade de memorizar todo o desequilíbrio do corpo tentando, de uma forma ou de outra, reequilibrar a postura. Este sistema é, portanto, capaz de funcionar em seu desequilíbrio, mas incapaz de corrigir-se sozinho (PROGRAMA POSTURAL, 2008).
Segundo Knoplich (1997) há uma série de exercícios de ginástica, chamados corretivos que auxiliam a não progressão da curva escoliótica e fortalecem a musculatura paravertebral, impedindo que o jovem venha a se tornar um adulto com dores crónicas nas costas. O autor ressalta ainda que o interesse dos jovens por esses exercícios dependerá dos pais com ajuda dos profissionais de saúde e do professor de Educação Física.

Em diversos países, crianças em idade escolar, veem apresentando um aumento considerável de dores nas costas a ponto de tal situação ser tida como epidémica, mais de 50% das crianças, à partir de 11 anos, tem ou já tiveram dores nas costas. Os fatores que levam a este aumento são vários e cumulativos ao longo dos anos, fazendo com que 80% da população adulta chegue a ser afetada por dores nas costas.

Perez (2002) informa que é entre os 07 e os 14 anos de idade, a postura da criança sofre grande transformação na busca do equilíbrio compatível com as novas proporções de seu corpo. Nessa idade em que sua mobilidade é extrema, associado ao surgimento das hormonas sexuais, a postura adapta-se às atividades que ela está desenvolvendo.

Salate (2003) assinala que a deteção da escoliose em fase inicial, antes da ocorrência de uma rotação significativa, poderá resultar em prevenção de anormalidades estéticas percetíveis, dor e complicações cardiopulmonares e neuromusculares, além de menor custo final de tratamento.

A escoliose idiopática do adolescente é definida como uma curva lateral e rotacional da coluna vertebral, medindo pelo menos 10 graus, determinados pelo método de Cobb. É uma deformidade da coluna, da caixa torácica e da cintura pélvica. Como o próprio nome indica, a etiologia da escoliose idiopática da adolescência é desconhecida e descrita como multifatorial, e diversos estudos têm mostrado que sua prevalência é maior no sexo feminino (LOEINSTEIN, 1994).

Segundo Pedras e Castro (1975 apud CARNEIRO E MOREIRA, 2005), existem diversos tipos de escoliose, entretanto, a escoliose idiopática do adolescente (de causa desconhecida) é responsável por aproximadamente 80% dos casos. É mais comum no sexo feminino e seu aparecimento faz-se mais frequentemente, em torno dos 9 a 13 anos de idade. A evolução silenciosa (sem dor) desta afeção poderá levar a deformidades que, necessariamente devem ser evitadas.

Segundo Silva Filho (1999), não existe uma conscientização por parte de pais e filhos, das autoridades e de um grande segmento dos profissionais da saúde, sobre a importância do tratamento precoce para as deformidades da coluna vertebral em geral. Dificuldade esta que constitui uma enorme barreira, pois não fala-se só de leigos, mas também de outras pessoas relacionadas à área da saúde.

Os hábitos posturais inadequados são transmitidos de geração a geração por que as crianças copiam as atitudes adotadas pelos adultos, sejam elas corretas ou não, e, posteriormente, as incorporam ou modificam.

Atualmente, nota-se um crescimento significativo na incidência de problemas posturais em crianças de todo o mundo, sendo as causas mais comuns a má postura durante as aulas, o uso incorreto de mochila escolar, a utilização de calçados inadequados, o sedentarismo e a obesidade (SANTOS et al, 2009).

As atividades escolares podem favorecer a instalação de maus hábitos posturais, e a adolescência, fase em que o crescimento do sistema esquelético, muitas vezes não acompanhado pelo sistema muscular, pode desencadear desvios posturais.

Paradoxalmente, é no período de crescimento que se consegue reverter os problemas surgidos ou não se deixar instalar lesões apresentadas por esses desvios (SHEPERD, 1995).

De acordo com Martelli (2004), a idade escolar é a melhor fase para recuperar as disfunções da coluna, após esse período o tratamento é mais difícil e duradouro. Orientações quanto à postura adequada na infância ou a correção precoce de desvios posturais nessa fase possibilitam posturas corretos na vida adulta, pois esse período é de grande importância no desenvolvimento músculo-esquelético do indivíduo, com maior probabilidade de prevenção e tratamento dessas alterações, onde na vida adulta podem se tornar problemas tão graves que chegam a ser irreversíveis e sem tratamento específico.


FONTE: Tamyres Bindá Dias  e Dayana Priscila Maia Mejia. Incidência de escoliose em crianças de 12 a 15 anos em idade. Pós-graduação em Fisioterapia em Reabilitação na Ortopedia e Traumatologia com ênfase em Terapia Manual – Faculdade Ávila